sábado, 6 de abril de 2013

Crítica: Mama

           Impulsionado por Guillermo Del Toro, o jovem diretor Andrés Muschietti tenta fazer do seu primeiro longa um passaporte para Hollywood.

            Em 2006, Andrés e sua irmã, Barbara, produziram um curta de terror, que acabou chamando a atenção de muita gente, inclusive do Del Toro, que é conhecido por apoiar jovens cineastas. Com isso, o
curta chamado 'Mama', se transformou em um longa homônimo.

            ‘Mama’, basicamente, conta a história de duas garotinhas que acabam em uma casa aparentemente abandonada. Longo que chegam na casa elas têm o pai assassinado por um ser desconhecido, a Mama. As irmãs Victoria (Megan Charpentier) e Lilly (Isabelle Nelisse) sobrevivem aos cuidados da Mama, passando cinco anos na floresta. Quando são encontradas, vão morar com o tio, Lucas (Nikolaj Coster-Waldau), e a namorada dele, Annabel (Jessica Chastain), que faz o possível para ajudar as meninas a se acostumarem com o novo ambiente, aos poucos criando com elas laços maternais. E aí inicia-se um duelo entre Mama e Annabel, para ver quem fica com as meninas.

            Esteticamente o filme é muito bem trabalhado. Andrés cuido bem dos detalhes de iluminação e dos efeitos com Mama. A estética gótica toma conta do filme, desde o estilo de Annabel – roqueira de cabelo preto e olho pintado, herdeira do punk e dos New Romantics – até a Mama – um espectro deformado de uma mulher que parece saída, com seu rosto estreito e alongado, da tela modernista.

            Porém, o roteiro tem algumas falhas, que acabam por não desenvolver nenhum dos personagens. A proposta de fazer Annabel ganhar aos poucos a confiança das meninas passa batido pelo filme e, de uma hora pra outra, a mulher que não queria ter filhos têm um súbito de maternidade pelas meninas. Outro ponto negativo é que o filme prende-se aos famosos clichês do terror: todo mundo vira detetive; “Mama” se contorce a todo momento; e o uso demasiado do artifício sonoro para “criar” sustos. Nada que tire de ‘Mama’ o status de um bom filme de terror.

            Outro destaque é para Jessica Chastain que, depois de ser indicada ao Oscar de melhor atriz pela atuação em ‘A Hora Mais Escura’, mostra boa regularidade e uma atuação firme. Também foi bom ver Nikolaj Coster-Waldau, o Jaime Lannister da série ‘Game Of Thrones’, com uma boa atuação, embora muito pouco explorada.

Com seu estilo de criação e de estética, ‘Mama’ se destaca no meio da safra atual do gênero de terror que, tem sido dominado pelo “terror-documentário”. Se depender de ‘Mama’, o diretor Andrés terá mais trabalhos em Hollywood.


Ficha Técnica:
Mama
Espanha/Canadá, 2013 – 100 minutos
Terror
Direção: Andrés Muschietti
Roteiro: Neil Cross, Andrés Muschietti, Barbara Muschietti
Elenco: Jessica Chastain, Nikolaj Coster-Waldau, Megan Charpentier, Isabelle Nélisse, Javier Botet, Daniel Kash

Crítica: Uma História de Amor e Fúria

A animação nacional Uma História de Amor e Fúria, visava mostrar que no Brasil também pode-se fazer uma animação de qualidade. Muitas animações de sucesso, tem o dedo mágico de brasileiros, seja no design ou ajudando no roteiro. Monstros SA e A Era do Gelo são alguns exemplos da qualidade dos brasileiros no ramo da animação. Porém, as coisas nem sempre saem como se espera e a animação beirou o paradidatismo.

O filme conta a história de um casal apaixonado e como eles se encontram em quatro épocas distintas de conflitos armados: em 1566, quando os índios tupinambás são dizimados pelos portugueses na Guanabara; 200 anos depois, quando os soldados do futuro Duque de Caxias contêm a Balaiada, revolta de escravos no Maranhão; entre 1968 e 1980, quando a Ditadura sentencia a vida de presos políticos; e em 2096, quando a guerra por água potável marca a rotina de um Rio de Janeiro que se apresenta como “a cidade mais segura do mundo”.

O roteiro deixa a desejar e se torna repetitivo durante os 74 minutos de duração. Em todos os períodos a mesma história se repete, um grupo que não suporta ser oprimido ergue-se contra seus opressores mas acabam sendo derrotados: os índios não cedem espaço, atacam os portugueses, e são dizimados. Os negros cansam da exploração, tomam a cidade, e são dizimados. Os cidadãos se sufocam com o regime militar, organizam-se em guerrilha, terminam torturados. Nenhum dos segmentos da história se desenvolve. O filme toma as dores do mundo e não vai muito além disso - como se lamentasse o fato de, desde o começo dos tempos, a história do homem ser feita com fúria e não com amor.

Em relação ao design, os três primeiros segmentos da história têm desenhos que parecem dos anos 80 – o que é um pecado, já que o filme é de animação. Já o ultimo segmento – que mostra o Rio de Janeiro do futuro – parece muito melhor trabalhado.

Seltom Melo e Camila Pitanga dublam os personagens principais. Mas achei o Seltom pouco a vontade e a voz teima em não encaixar com o personagem. Pena.

O filme é regular, pecou principalmente em roteiro e deixou o telespectador com a sensação de que poderia ter sido melhor.

Ficha Técnica:
Uma História de Amor e Fúria
Brasil, 2013 – 74 minutos
Animação
Direção: Luiz Bolognesi
Roteiro: Luiz Bolognesi
Elenco: Vozes de Selton Mello, Camila Pitanga, Rodrigo Santoro, Paulo Goulart, Bemvindo Sequeira, Marcos Cesana, Sérgio Moreno

quarta-feira, 13 de março de 2013

Crítica: Oz: Mágico e Poderoso (Oz the Great and Powerful)


A Disney lançou uma de suas apostas para 2013: Oz, Mágico e Poderoso. Porém, para um filme que, contratualmente, não poderia mencionar ‘O Mágico de Oz’ do cinema (o livro de L. Frank Baum está em domínio público mas o longa de 1939 é de propriedade da Warner),  até que fizeram referências consideráveis ao clássico.

Basicamente, o filme mostra como Oscar Diggs (James Franco) chega à terra de Oz e se torna o grande governante do local. Oscar Diggs é um mágico charlatão e sem fama de um pequeno circo do Kansas que é transportado para a Terra de Oz. Recepcionado pelas belas bruxas Theodora (Mila Kunis) e Evanora (Rachel Weisz), ele logo é informado que há uma Bruxa Má colocando em perigo seus habitantes. Ambicioso, Oz aceita matar a bruxa má para receber o tesouro da cidade. Porém, é surpreendido ao saber que aquela que ele acreditava ser a bruxa má, na verdade é a Bruxa Boa Glinda (Michelle Williams). E a história vai seguindo a obviedade.

O filme é um clássico exemplo sobre como a forma predomina sobre o conteúdo. Mas o uso de cores e fantasia, mesmo na versão 3D, não é o bastante para compensar a fragilidade da história, que recicla sem criatividade temas e idéias do filme original. O filme não tem carisma algum, e nem um elenco tão qualificado conseguiu dar um tom a história. Destaque negativo para James Franco que, em momento algum convence ser o mágico. Definitivamente não entrou no personagem.

Destaque para a Boneca de Porcelana, dublada por Joey King, talvez a personagem mais bem-resolvida do filme, e para Finley, dublado por Zach Braff, um macaco alado que se torna uma espécie de escudeiro de Oz. O que acaba sendo uma ironia: num filme com um elenco tão valoroso os melhores personagens são os digitais.

Em relação aos efeitos, eles foram muito bem feitos. Chama a atenção o lado nostálgico da filmagem, que inicia-se em preto e branco e com enquadramento diferente e, conforme Oscar chega à Terra de Oz, a tela expandi e se enche de cores. O visual é lindo.

            Enfim, apesar de estar arrebentando nas bilheterias, ‘Oz’ não tem carisma e não empolga em nenhum momento. A grande “mágica”, foi transformar um clássico em algo entediante e óbvio.  

Ficha Técnica:
Oz - The Great and Powerful
EUA , 2013 - 130 minutos
Aventura
Direção: Sam Raimi
Roteiro: Mitchell Kapner, David Lindsay-Abaire
Elenco: James Franco, Michelle Williams, Rachel Weisz, Mila Kunis, Zach Braff, Bill Cobbs, Tony Cox.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Oscar 2013


Para homenagear a premiação do Oscar, que hoje chega a sua 85º edição, Nelson Carvajal fez um vídeo que reúne clipes de todos os ganhadores de melhor filme:





1929 - Asas (1927) - Direção: William A. Wellman.
1930 - Melodia da Broadway (1929) - Direção: Harry Beaumont.
1930 - Sem Novidade no Front (1930) - Direção: Lewis Milestone. 
1931 - Cimarron (1931) - Direção: Wesley Ruggles.
1932 - Grande Hotel (1932) - Direção: Edmund Goulding.
1934 - Cavalcade (1933) - Direção: Frank Lloyd.
1935 - Aconteceu Naquela Noite (1934) - Direção: Frank Capra.
1936 - O Grande Motim (1935) - Direção: Frank Lloyd.
1937 - Ziegfeld - O Criador de Estrelas (1936) - Direção: Robert Z. Leonard.
1938 - A Vida de Emile Zola (1937) - Direção: William Dieterle.
1939 - Do Mundo Nada se Leva (1938) - Direção: Frank Capra.
1940 - ...E o Vento Levou (1939) - Direção: Victor Fleming.
1941 - Rebecca, a Mulher Inesquecível (1940) - Direção: Alfred Hitchcock.
1942 - Como Era Verde O Meu Vale (1941) - Direção: John Ford.
1943 - Rosa da Esperança (1942) - Direção: William Wyler.
1944 - Casablanca (1942) - Direção: Michael Curtiz.
1945 - O Bom Pastor (1944) - Direção: Leo McCarey.
1946 - Farrapo Humano (1945) - Direção: Billy Wilder.
1947 - Os Melhores Anos de Nossas Vidas (1946) - Direção: William Wyle.
1948 - A Luz é Para Todos (1947) – Direção: Elia Kazan.
1949 - Hamlet (1948) - Direção: Laurence Olivier.
1950 - A Grande Ilusão (1949) - Direção: Robert Rossen.
1951 - A Malvada (1950) -Direção: Joseph L. Mankiewicz.
1952 - Sinfonia em Paris (1951) - Direção: Vincente Minnelli.
1953 - O Maior Espetáculo da Terra (1952) - Direção: Cecil B. DeMille.
1954 - A Um Passo da Eternidade (1953) - Direção: Fred Zinnemann.
1955 - Sindicato de Ladrões (1954) - Direção: Elia Kazan.
1956 - Marty (1955) - Direção: Delbert Mann.
1957 - A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956) - Direção: Michael Anderson.
1958 - A Ponte do Rio Kwai (1957) - Direção: David Lean.
1959 - Gigi (1958) - Direção: Vincente Minnelli.
1960 - Ben-Hur (1959) - Direção: William Wyler.
1961 - Se Meu Apartamento Falasse (1960) - Direção: Billy Wilder.
1962 - Amor, Sublime Amor (1961) - Direção: Jerome Robbins/ Robert Wise.
1963 - Lawrence da Arábia (1962) - Direção: David Lean.
1964 - As Aventuras de Tom Jones (1963) - Direção: Tony Richardson.
1965 - Minha Bela Dama (1964) - Direção: George Cukor.
1966 - A Noviça Rebelde (1965) - Direção: Robert Wise.
1967 - O Homem que Não Vendeu Sua Alma(1966) - Direção:  Fred Zinnemann.
1968 - No Calor da Noite (1967) - Direção: Norman Jewison.
1969 - Oliver! (1968) - Direção: Carol Reed.
1970 - Perdidos na Noite (1969) - Direção: John Schlesinger.
1971 - Patton - Rebelde ou Herói? (1970) - Direção: Franklin J. Schaffner.
1972 - Operação França (1971) - Direção: William Friedkin.
1973 - O Poderoso Chefão (1972) - Direção: Francis Ford Coppola
1974 - Golpe de Mestre (1973) - Direção: George Roy Hill.
1975 - O Poderoso Chefão II (1974) - Direção: Francis Ford Coppola.
1976 - Um Estranho no Ninho (1975) - Direção: Milos Forman.
1977 - Rocky - Um Lutador (1976) - Direção: John G. Avildsen.
1978 - Noivo Neurótico, Noiva Nervosa (1977) - Direção: Woody Allen.
1979 - O Franco Atirador (1978) - Direção: Michael Cimino.
1980 - Kramer vs. Kramer (1979) -Direção: Robert Benton.
1981 - Gente como a Gente (1980) - Direção: Robert Redford.
1982 - Carruagens de Fogo (1981) - Direção: Hugh Hudson.
1983 - Gandhi (1982) - Direção: Richard Attenborough.
1984 - Laços de Ternura(1983) - Direção: James L. Brooks.
1985 - Amadeus (1984) - Direção: Milos Forman.
1986 - Entre Dois Amores (1985) - Direção: Sydney Pollack.
1987 - Platoon (1986) - Direção: Oliver Stone.
1988 - O Último Imperador (1987) - Direção: Bernardo Bertolucci.
1989 - Rain Man (1988) - Direção: Barry Levinson.
1990 - Conduzindo Miss Daisy (1989) - Direção: Bruce Beresford.
1991 - Dança com Lobos (1990) - Direção: Kevin Costner.
1992 - O Silêncio dos Inocentes (1991) - Direção: Jonathan Demme.
1993 - Os Imperdoáveis (1992) - Direção: Clint Eastwood.
1994 - A Lista de Schindler (1993) - Direção: Steven Spielberg.
1995 - Forrest Gump (1994) - Direção: Robert Zemeckis.
1996 - Coração Valente (1995) - Direção: Mel Gibson.
1997 - O Paciente Inglês (1996) - Direção: Anthony Minghella.
1998 - Titanic (1997) - Direção: James Cameron.
1999 - Shakespeare Apaixonado (1998) - Direção: John Madden.
2000 - Beleza Americana (1999) - Direção: Sam Mendes.
2001 - Gladiador (2000) - Direção: Ridley Scott.
2002 - Uma Mente Brilhante (2001) - Direção: Ron Howard.
2003 - Chicago (2002) - Direção:  Rob Marshall.
2004 - O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei (2003) - Direção: Peter Jackson.
2005 - Menina de Ouro (2004) - Direção: Clint Eastwood.
2006 - Crash - No Limite (2005) - Direção: Paul Haggis.
2007 - Os Infiltrados (2006) - Direção: Martin Scorsese.
2008 - Onde os Fracos Não Têm Vez (2007) - Direção: Ethan Coen/Joel Coen.
2009 - Quem Quer Ser Um Milionário? (2008)- Direção: Danny Boyle/Loveleen Tandan.
2010 - Guerra ao Terror (2009) - Direção: Kathryn Bigelow.
2011 - O Discurso do Rei (2010) - Direção: Tom Hooper.
2012 - O Artista (2011) - Direção: Michel Hazanavicius.

Melhores Oscar 2013: Melhor Filme


Dia 24/02 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas premiará os melhores das telonas com o Oscar 2013.

Essa será a 85º festa de premiação, e conta com várias surpresas e diversos tipos de atuações, filmes e estilos entre os candidatos.

Farei alguns posts sobre as principais categorias do Oscar: melhor atriz e ator coadjuvante, melhor atriz e ator, e, o mais importante, o prêmio de melhor filme.

Melhor Filme:
Os Indicados: Argo, Django Livre, As Aventuras de Pi, Lincoln, A Hora Mais Escura, Os Miseráveis, O Lado Bom da Vida, Indomável Sonhadora e Amor.

De um lado, a história emblemática de um presidente americano dirigida por Steven Spielberg, liderando o número de indicações do Oscar com 13 categorias. Do outro, um diretor-ator em ascensão premiado pela crítica especializada, mas que não recebeu indicação ao prêmio de melhor diretor. Dessa forma "Lincoln", e "Argo", de Ben Affleck, disputarão a atenção neste domingo (25), quando a 85ª edição do Oscar acontecerá em Los Angeles. 

"Argo", drama baseado em história real que narra um resgate de reféns feito pela CIA, recebeu quatro importantes prêmios a que foi indicado: Bafta, Globo de Ouro, SAG e Critics Choice Awards. Tendo em vista a última experiência de Affleck com a direção, no fiasco "Atração Perigosa", o sucesso de "Argo" foi uma grata surpresa à Academia, que indicou o longa em sete categorias. 

Mas uma vitória de "Argo", apesar da omissão de Affleck na categoria de melhor diretor, desafiaria a sabedoria convencional que diz que o Oscar de melhor filme também garante uma estatueta para seu cineasta.

Já "Lincoln", de Spielberg, e mais bem indicado da Academia, não conquistou tanto a crítica especializada, apesar da atuação de Daniel Day-Lewis, de seus figurinos de época fieis e do apelo de ser um icônico presidente americano. De acordo com pesquisa realizada pela Reuters, "Lincoln" é o favorito do público com 17%, tão possível de vencer quanto o musical "Os Miseráveis".

Usando um elenco de atores famosos (entre eles Russel Crowe e Hugh Jackman), o diretor Tom Hopper abraçou a ambiciosa -- e perigosa -- missão de levar a adaptação do musical baseado na obra de Victor Hugo para as telonas em "Os Miseráveis". Também indicado nas premiações mais importantes da indústria, o que o filme conseguiu até agora foi conquistar prêmios para a atuação de Anne Hathaway como atriz coadjuvante, e para sua parte técnica (maquiagem, cabelo e trilha-sonora). 

Correndo por fora da premiação está a aventura do taiwanês Ang Lee em "As Aventuras de Pi", história de fé criada com efeitos especiais impecáveis, categoria que já lhe rendeu um BAFTA. No Oscar, o filme concorre a 11 Oscar, sete delas categorias técnicas como edição, e mixagem de áudio.

Também em destaque está a volta de Quentin Tarantino com seu faroeste "Django Livre", indicado em cinco categorias. Além de melhor filme, o longa também concorre em melhor roteiro e tem seu ator coadjuvante (Christopher Waltz) concorrendo.

Os dramas "Amor", também indicado em cinco categorias, e "Indomável Sonhadora", em quatro, também são destaques paralelos da competição cinematográfica. Com as atrizes de maior diferença de idade nos papeis principais, os longas foram premiados em circuitos alternativos e chamam a atenção por suas histórias de vida, muito parecidas com a realidade. "Indomável Sonhadora" já ganhou prêmios de destaque em Cannes e Sundance. 

A comédia romântica "O Lado Bom da Vida", de David O Russel, faz o papel de filme para se sentir bem e foi indicado em outras sete categorias, incluindo melhor roteiro e diretor. Na contramão, "A Hora Mais Escura", novo filme de guerra da já premiada diretora Kathryn Bigelow que, até pouco tempo atrás era favorito, continua incomodando por suas cenas de tortura, pode ser uma surpresa.

Melhores Oscar 2013: Melhor Ator


Dia 24/02 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas premiará os melhores das telonas com o Oscar 2013.

Essa será a 85º festa de premiação, e conta com várias surpresas e diversos tipos de atuações, filmes e estilos entre os candidatos.

Farei alguns posts sobre as principais categorias do Oscar: melhor atriz e ator coadjuvante, melhor atriz e ator, e, o mais importante, o prêmio de melhor filme.

Melhor Ator:
Os Indicados: Daniel Day-Lewis – ‘Lincoln’, Joaquin Phoenix – ‘O Mestre’, Denzel Washington – ‘O Vôo’, Bradley Cooper – ‘O Lado Bom da Vida’, Hugh Jackman – ‘Os Miseráveis’.

A categoria de melhor ator está recheada de ótimas atuações de ótimos personagens. Seria um páreo duríssimo... Seria se não houvesse Daniel Day-Lewis concorrendo. Dificilmente ele perde o Oscar. Sua atuação em ‘Lincoln’ é de arrepiar. No filme parece que somos transportados e nos encontramos cara-a-cara com o próprio presidente Lincoln. Daniel incorporou muito bem este ícone norte-americano e merece ganhar a estatueta.

As outras atuações também são muito boas.

Joaquin Phoenix foi outro que incorporou com maestria o seu personagem. Ele interpreta um viciado que, encontra um homem que o faz mudar completamente: O Mestre. Ao lado de seu mestre, Joaquin começa a descobrir-se e perde-se em vários debates de consciência. Joaquin também se transformou completamente. Fica realmente parecendo um louco, neurótico, até o jeito de caminhar, meio que corcunda impressiona. Se não fosse Daniel, ele estaria forte na briga.

Denzel continua dando certo com personagens que beiram entre o heroísmo e o vilanismo, entre o bom moço e o cara mal. Foi seguindo esse mesmo estilo que ele ganhou o Oscar de melhor ator por sua atuação em ‘Dia de Treinamento’. Em ‘O Vôo’, Denzel interpreta um piloto de avião viciado em drogas. Mas de repente ele se torna um herói, por ter salvo várias pessoas de um acidente. O enredo prossegue mostrando o debate moral no qual o personagem está inserido. E Denzel consegue fazer os altos e baixos do personagem com extrema precisão.

Hugh Jackman mostrou toda a sua voz no musical ‘Os Miseráveis’. E não é que ele se deu bem cantando. Marcado pelo personagem Wolverine e ‘X-Men’, o grande desafio de Hugh Jackman era justamente se desvencilhar desse rótulo. Ele consegue isso de forma maravilhosa. Ele canta muito bem e com muito vigor. O diretor Tom Hooper fez questão de filmar com a câmera focada nos atores. Ou seja, os atores ficavam expostos a erros, mesmo que pequenos. E isso engrandece ainda mais o trabalho de Jackman. Posso dizer tranquilamente, Jackman é muito mais Jean Valjean do que Wolverine.

Já Bradley Cooper é o azarão do páreo. A atuação dele também é muito boa. Mas como o filme é meio que uma comédia romântica, ele perde alguns pontos com os votantes. Mas fora isso, ele mostrou que quer perder a fama de galã de Hollywood e fazer trabalhos mais sérios.  

Melhores Oscar 2013: Melhor Atriz


Dia 24/02 a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas premiará os melhores das telonas com o Oscar 2013.

Essa será a 85º festa de premiação, e conta com várias surpresas e diversos tipos de atuações, filmes e estilos entre os candidatos.

Farei alguns posts sobre as principais categorias do Oscar: melhor atriz e ator coadjuvante, melhor atriz e ator, e, o mais importante, o prêmio de melhor filme.

Melhor Atriz:
As Indicadas: Jessica Chastain –‘A Hora Mais Escura’, Naomi Watts – ‘O Impossível’, Jennifer Lawrence – ‘O Lado Bom da Vida’, Emmanuellle Riva –‘Amor’ e Quvenzhané Wallis – ‘Indomável Sonhadora’.

A categoria de melhor atriz este ano traz algumas surpresas. Temos no mesmo páreo a atriz mais velha a ser indicada (Emmanuellle Riva, que completa 86 anos justamente na entrega do Oscar) e a atriz mais jovem a ser indicada (Quvenzhané Wallis, 9 anos).

Jessica Chastain bancou a chefona que descobriu onde o terrorista mais procurado de todos os tempos estava escondido. A atuação dela oscila entre momentos firmes e enérgicos onde ela mostra o melhor de si, e momentos mais pensativos, onde ele deixa a desejar. O filme em si também não vai ajudá-la a ganhar o prêmio. O filme se envolveu em várias polêmicas e colocou em risco até sua luta pelo Oscar de melhor filme.

A grande surpresa do Oscar foi a indicação de Wallis. A jovem mostrou muito talento e emocionou quem a assistiu. Sem medo das câmeras, a garotinha fez de tudo do filme. Obviamente a atuação dela tem uma grande contribuição do diretor Benh Zeitlin.
Foi uma bela indicação, porém não deve levar Oscar. A juventude pesa na decisão dos votantes. Além disso, o filme ‘Indomável Sonhadora’ é independente demais, falta o peso de Hollywood para ajudar. E de certa forma, ela não é a melhor atuação entre as indicadas. Mas já pensou essa menina levando o Oscar e mostrando no colégio?

Jennifer Lawrence é a mais nova queridinha de Hollywood. Mas tem méritos nisso. Vem de boas atuações e tem unido beleza à um bom trabalho de interpretação. Ela é a favorita ao prêmio! Sua atuação em ‘O Lado Bom da Vida’ não foi tocante, nem emocionante, muito menos de tirar o fôlego, mas foi o suficiente para garantir uma vaga entre as indicadas. Se ganhar, ganhará muito mais por ser queridinha do que pela atuação.

Já o filme ‘O Impossível’ mostra a história de uma família que sobreviveu ao tsunami que arrasou parte da Tailândia. Assim, grande parte da atuação de Naomi Watts é sofrer, gemer, gritar e agonizar. Não que isso seja fácil, porém não é muito o que a Academia curte. Foi uma boa atuação. Equilibrada, sem exageros. Conseguiu emocionar em algumas partes, mas não chega a ser uma atuação arrasa quarteirão.

Mas emocionante mesmo foi a atuação da experiente atriz francesa Emmanuellle Riva. Ela é o ponto alto de ‘Amor’. Sua atuação é serena e vibrante ao mesmo tempo. Quase perfeita. Em minha opinião, ela é a melhor disparada entre as indicadas. Porém, dificilmente levará a estatueta. Ela é uma atriz sem holofotes e pouco freqüenta Hollywood. Falta quem banque um voto nela. Mas nunca se sabe...